domingo, 13 de novembro de 2016

PEC, de pecado da mentira. Fora Temer!



A PEC 241 e as suas principais falácias
por Marcos de Aguiar Villas-Bôas — publicado 13/10/2016 11h09, última modificação 25/10/2016 15h30
Um guia didático para entender, enfim, a PEC do limite de gastos, e nove erros embutidos no discurso de seus defensores
 Lula Marques / AGPT








 Ato contra a PEC 241 na Câmara: a emenda não garante crescimento


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Falácia 1: A PEC 241 reduz os gastos com educação, saúde, salário mínimo, infraestrutura etc.
Correção 1: Ela não reduz gastos de imediato, mas limita o aumento no futuro. Deste modo, não resolve nada em curto prazo e não terá grandes efeitos sobre a crise econômica, apesar de garantir expectativas de solvência.
Como o PIB voltará a crescer em algum momento, com o limite de gastos, o Estado se contrairá necessariamente, e isso independe dos fatos e das políticas que se queira adotar.
Não se sabe quantas pessoas nascerão, quantas ficarão doentes etc. Com o aumento da expectativa de vida, certamente haverá aumento populacional e, portanto, mais gastos serão necessários. A despesa per capta com educação, que já é pequena, ficará muito menor.

A PEC engessará as políticas públicas, desacelerará o progresso socioeconômico, pois reduzirá gastos sociais e investimentos.

O Brasil precisa reformar as instituições e as políticas que pressionam o gasto, e não passar uma régua rígida sobre eles de forma açodada, que não resolverá os graves problemas do País.

Haverá descumprimento da regra da PEC ou desarrumação ainda maior das instituições e políticas para se adequarem a ela sem propostas avançadas e sem um contexto social propício. 

Falácia 2: Foram as despesas primárias que geraram o déficit fiscal.
Correção 2: Os juros nominais pagos devem girar em torno de 418 bilhões este ano. Apesar de o governo Temer vir se esforçando para aumentar o déficit fiscal, fazendo jantares milionários para convencer políticos a votarem a favor da PEC, ele não deve chegar a metade do gasto com juros.  

Se o objetivo do governo fosse reduzir despesas, não estaria aumentando o déficit de forma estrondosa mês a mês. A previsão no governo Dilma era de 97 bilhões reais e passou a 170,5 bilhões de reais com 1 mês de governo Temer, sendo que, até agosto, já haviam sido gastos 172 bilhões de reais, restando ainda 4 meses para o fechamento do ano.

O gasto de 2016 passará dos 200 bilhões de reais por conta de altos investimentos feitos para obter o impeachment e as reformas que se tenta agora realizar sem suficiente debate, como é o caso da PEC 241. 

Não há qualquer dúvida sobre ser esse o grande desequilíbrio brasileiro e uma distorção enorme em relação aos demais países.

Apenas se pode crer que a PEC é encomendada por rentistas, grandes instituições financeiras e empresários muito ricos, que fazem um lobby forte, com uso das práticas já conhecidas no Brasil.

Depois dos juros, a segunda maior despesa é com a Previdência, que precisa realmente ser reformada e não está contemplada pela PEC.

A questão sempre é: qual reforma? Não se fala numa reforma estrutural, que abarque também o péssimo financiamento da Previdência. O governo atual nem cogita de fazer os mais ricos pagarem mais, apesar de estar completamente provado que eles pagam pouquíssimos tributos no Brasil.  

Falácia 3: As despesas explodiram por conta do governo do PT.
Correção 3: As despesas primárias tiveram crescimento mais ou menos constante nos últimos 15 anos, ou seja, desde o governo FHC, mas explodiu este ano quando Temer assumiu.

As despesas cresceram de forma real na média de 4,2% ao ano nos últimos 15 anos, mas o governo Temer, que usa números distorcidos, por exemplo, pelas desonerações fiscais e pelo desfazimento das pedaladas fiscais, que não são efetivamente despesas, alega que o número seria 6,2%. 

Falácia 4: O aumento constante de despesas gerou o déficit fiscal de agora.
Correção 4: Déficits são gerados por despesas superarem as receitas. Se as despesas aumentaram de forma constante, o problema maior está do outro lado, ou seja, as receitas caíram muito por conta da grave crise econômica, que derrubou a arrecadação tributária.

Se as despesas fossem menores, o déficit poderia não existir ou seria menor. Deve-se atacar as despesas maiores, sendo absurdo culpar gastos sociais, aumentos de salário mínimo e investimentos em infraestrutura, cujos valores, mesmo que somados, são menores do que os gastos com juros. 

Ao mesmo tempo, é preciso reorganizar a tributação, para que o poder de renda do mais pobre seja aumentado, gerando imediatamente aumento da demanda agregada, que está baixíssima. É preciso tributar mais os ricos e menos os pobres, o que beneficiará indiretamente os ricos, que venderão mais.

É assim que se monta um ecossistema econômico saudável que beneficie a todos. A visão “curto prazista” da elite brasileira prejudica a ela mesma.

Falácia 5: O descontrole nos gastos levou à crise econômica.
Correção 5: Um conjunto complexo de causas gerou a crise brasileira, sendo a quantidade de gastos, provavelmente, a menos importante. O problema é a qualidade.
A maioria dos países ainda não se recuperou totalmente da crise de 2007-2009, e isso é bem analisado no livro, festejado hoje no mundo, Rethinking Capitalism: Economics and Policy for Sustainable and Inclusive Growth, editado por Michael Jacobs e Mariana Mazzucato.

Segundo os textos desse livro, inclusive de Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, o conhecimento da Ciência Econômica tradicional foi insuficiente para permitir que os economistas previssem a crise, assim como vem sendo insuficiente para que eles consigam recuperar os seus países.

Uma das principais críticas é direcionada à austeridade fiscal, sobretudo àquela que ataca gastos sociais e investimentos, exatamente o caso da regra da PEC, uma péssima medida, dentre as várias possíveis. 

Falácia 6: Sem a regra da PEC 241, as despesas não pararão de crescer.
Correção 6: Para as despesas pararem de crescer, é preciso reduzir os juros e reformar a previdência. A regra da PEC não é necessária e não é adequada, pois há medidas melhores do que ela, como, por exemplo, o estabelecimento de um limite vinculado à taxa média do PIB de longo prazo, algo já proposto em texto publicado aqui na CartaCapital.

Além de desnecessária e inadequada, a PEC causará mais custos do que benefícios, de modo que ela não passa em nenhum dos critérios de validade da política pública. 

Falácia 7: Sem a PEC, o déficit fiscal vai aumentar e a economia não se recuperará.
Correção 7: A redução de despesas independe da aprovação da PEC. Além disso, o endividamento privado é atualmente mais grave do que o endividamento público, como lembra o economista Felipe Rezende.

O problema do Brasil é que a desarrumação institucional (política, tributária, previdenciária, administrativa etc.) trava a economia, endividando o setor privado e fazendo despencar a arrecadação. Com receitas menores, gera-se o déficit fiscal.

Com uma redução gradual dos juros em conjunto com o fim da isenção dos dividendos, a reforma da tabela progressiva do Imposto de Renda para os mais ricos e a criação de um Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) para substituir PIS, Cofins, IPI, ICMS, ISS e contribuição previdenciária sobre a receita da empresa, seria gerado superávit ao mesmo tempo em que se corrigiria falhas graves da economia brasileira.

Falácia 8: A redução dos juros depende da aprovação da PEC 241.
Correção 8: Não há relação. Os juros reais brasileiros são enormes e a demanda agregada está muito baixa. O investimento em títulos da dívida pública brasileira é um baita investimento e não seria a redução gradual de juros até chegar em 2% dentro de 1 ano o que tiraria muito dinheiro do Brasil.
Por sinal, o País precisa de mais capital produtivo, e não capital rentista, que nada produz e apenas quer ganhar com juros altos.

Falácia 9: A recuperação da economia depende da PEC 241.
Correção 9: A recuperação depende de corrigir os graves desequilíbrios brasileiros. É uma bobagem acreditar que, após a PEC, eles serão corrigidos para que a regra seja descumprida.  

Esses graves desequilíbrios exigem reformas profundas, que requerem muito conhecimento, debate e algum tempo. A PEC não terá qualquer efeito positivo sobre demanda e oferta, mas apenas sobre as expectativas dos rentistas.
*Marcos de Aguiar Villas-Bôas, doutor pela PUC-SP, mestre pela UFBA, é conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda e pesquisador independente na Harvard Law School e no Massachusetts Institute of Technology

domingo, 23 de outubro de 2016

Próxima parada, Marte!

Marte
Depois de acreditar ter visto canais de água na superfície e de pensar que o planeta poderia ser habitado, os terráqueos se lançaram à conquista de Marte
Por AFP
access_time 19 out 2016, 17h14





 Marte: terráqueos se lançam à sua conquista e querem enviar o primeiro voo tripulado até 2030 (Nasa/Divulgação)




Há tempos, o homem é fascinado por Marte. Depois de acreditar, equivocadamente, ter visto canais de água em sua superfície e de pensar que aquele planeta poderia ser habitado por marcianos, os terráqueos se lançaram à sua conquista e querem enviar o primeiro voo tripulado até 2030.

O planeta de cor vermelha – devido à presença de óxido de ferro na sua superfície -, tem o nome do deus da guerra. E conquistá-lo não é fácil. Desde os anos 1960, houve mais de 40 missões espaciais rumo ao planeta vizinho, hostil pela sua atmosfera fina, suas temperaturas gélidas, a aridez do seu solo e as suas tempestades de poeira. Houve muitos fracassos, principalmente russos.

Estreias em série
A União Soviética foi a primeira a enviar sondas ao planeta vermelho, a partir de 1960, mas sofreu uma série de reveses.

Em 1964, os Estados Unidos tiveram sucesso pela primeira vez com a sonda Mariner 4, que sobrevoou Marte e trouxe para a Terra imagens que mostram uma superfície árida coberta de crateras. Em 1971, a Mariner 9 conseguiu pela primeira vez entrar com sucesso na órbita do planeta. Naquele mesmo ano, os soviéticos conseguiram pousar a Marte 3, mas esta deixou de emitir sinais poucos segundo depois.

Graças aos seus custosos programas Viking, os americanos deram um passo decisivo em direção à conquista de Marte. Em 1976, ambas as sondas Viking 1 e Viking 2 enviaram com sucesso seus respectivos módulos de pouso. Lançado em 1996, o módulo americano Mars Pathfinder foi o primeiro a levar um pequeno robô móvel a Marte, o Sojourner, abrindo uma nova etapa na conquista do planeta vermelho.

Schiaparelli não está sozinho
Nesta quarta-feira, se tudo der certo, a sonda russa-europeia TGO entrará na órbita marciana e o módulo Schiaparelli pousará na superfície do planeta. Mas não estarão sozinhos. Há cinco sondas na órbita de Marte e dois robôs americanos explorando a sua superfície.

A sonda americana Mars Odyssey trabalha lá desde 2001. A Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), chegada em 2006, e a Maven, em 2014, também dos Estados Unidos, continuam em ação. A sonda europeia Mars Express gira em volta do planeta vermelho desde 2003 e tentará captar o sinal de Schiaparelli após o impacto.

A Índia se juntou ao clube em 2013, quando lançou com sucesso a sonda Mars Orbiter Mission (Magalyaan). O robô americano Opportunity, que chegou a Marte em 2004, continua funcionando. Tentará observar Schiaparelli e seu grande paraquedas durante a descida. Já o robô Curiosity trabalha desde 2012 no solo marciano.

Em 2020, risco de lotação
O interesse por Marte não diminuiu, e há novos atores se aventurando.

Em 2018, a Nasa enviará o robô americano InSight para escrutar as entranhas de Marte. Levará um instrumento de fabricação francesa para medir a atividade sísmica.
O ano de 2020 promete. A missão russo-europeia ExoMars 2020 enviará um robô para perfurar o solo marciano a dois metros de profundidade e procurar rastros de uma vida bacteriana passada. Graças à Mars 2020, a Nasa quer enviar um robô móvel e realizar outras perfurações.

A China também planeja enviar uma nave espacial para a órbita de Marte até 2020, antes de lançar um veículo teleguiado na sua superfície. E os Emirados Árabes Unidos estão preparando uma pequena sonda científica.

Voos tripulados?
O presidente americano, Barack Obama, confirmou na semana passada sua vontade de que os Estados Unidos “enviem seres humanos para Marte na década de 2030 e façam com que eles regressem em segurança para a Terra”. Esse “passo de gigante” será dado graças a uma estreita colaboração com o setor privado.

“Há décadas, dizemos que vamos enviar homens a Marte com a esperança de que aumentem o orçamento da Nasa para consegui-lo”, disse à AFP François Forget, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), da França.

“A grande revolução é que agora se pensa no que a Nasa pode fazer, eventualmente com sócios estrangeiros, com um orçamento constante”, acrescenta.

O milionário Elon Musk, fundador da empresa SpaceX, é ainda mais ambicioso. No final de setembro passado, apresentou um projeto para estabelecer uma “aldeia” em Marte, enviando seres humanos a bordo de grandes naves espaciais equipadas com cabines, pelo preço de 100.000 dólares por pessoa.

Musk disse estar “otimista” sobre a possibilidade de enviar a primeira missão tripulada em 2024, que chegaria a Marte no ano seguinte.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Reservas Cambiais



"Brasil poderia usar uma parte das reservas para estimular a economia"
Wellington Dias, governador do Piauí, defende utilização de valores que excedem o montante necessário para o País enfrentar choques externos
por Sergio Lirio — publicado 28/09/2016 05h09
Wilson Dias / Agência Brasil 


 Dias: É cada vez mais urgente a reforma política


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Uma carta conjunta assinada por 20 dos 27 governadores expôs de forma clara a penúria das finanças públicas estaduais. Divulgado na terça-feira 20, o documento pede tratamento semelhante ao dispensado ao Rio de Janeiro, que, após decretar “estado de calamidade”, recebeu um apoio financeiro da União equivalente a 2,9 bilhões de reais. 

Um dos organizadores da carta, Wellington Dias, governador do Piauí, acredita que um acordo neste momento com o governo federal evitaria outros decretos de calamidade e uma piora do cenário econômico. “Imagine se a maioria seguisse o exemplo do Rio. Desaba a nota de risco do Brasil.” 

Na entrevista a seguir, Dias fala das esquerdas, do PT e propõe uma saída para a retomada do crescimento: o uso de parte das reservas cambiais para estimular a economia.

CartaCapital: Um grupo de governadores acaba de lançar uma carta na qual alertam para o risco de decretação de estado de calamidade por vários estados. Como andam as negociações com o governo federal?
Wellington Dias: A dívida pública dos estados é muito concentrada. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul respondem por 87% do total. O Piauí, que administro, e o Tocantins não devem nada à União. Outras unidades da federação devem muito pouco. 

A dívida dos 20 estados que assinam a carta não passa de 9% do montante. Mas temos contas a pagar. E não me parece natural, justo, que o governo federal negue um repasse de 14 bilhões de reais. 

É um dinheiro nosso, gerado pela Lei Kandir. Uma receita que a União, a partir de suas decisões, retirou da receita desses estados. A negociação visa a continuidade de serviços básicos essenciais, hospitais, escolas. Vamos analisar o exemplo do Rio de Janeiro. 

O Rio decretou estado de calamidade e recebeu um auxílio emergencial de 2,9 bilhões de reais. Acho que os demais merecem a mesma deferência. Imagine se, além do Rio de Janeiro, mais 20 estados decretarem calamidade... Desaba a nota de risco do Brasil, o ambiente econômico ficará muito pior do que já está.

CC: Não houve nenhuma sinalização da equipe econômica?
WD: Segundo o ministro Henrique Meirelles, uma fonte possível de receita seria a repatriação de recursos do exterior. Estima-se uma repatriação de 30 bilhões a 70 bilhões de dólares. Falamos então de 30 bilhões a 70 bilhões de reais nos cofres do Tesouro por meio de impostos e multa. A lei prevê a divisão desse dinheiro com estados e municípios. 

Não seria possível fazer uma antecipação? Parece-me uma alternativa, caso contrário imagino que boa parte dos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguirá os passos do Rio de Janeiro. Até para ter um instrumento legal para requerer um auxílio financeiro da União. Tudo isso ainda pode ser evitado, a bem do ambiente econômico.

CC: O senhor imagina possível equilibrar as contas do setor público sem aumento de impostos?
WD: O Brasil precisa de crescimento. E ele só vai acontecer com o aumento do investimento público. O setor privado não fará isso sozinho. No mundo, o Estado sempre dá o primeiro passo. Há cerca de 30 mil obras espalhadas pelo Brasil, grande parte delas parada. Imagine se o governo federal decidisse reativá-las? No mínimo iríamos gerar mais 1 milhão de novos empregos. O Brasil poderia usar uma parte das reservas cambiais, cujo custo de manutenção é alto, para estimular a economia.

CC: Como?
WD: Nossas reservas cambiais se aproximam de 380 bilhões de dólares. O Brasil, sabe-se, atravessa qualquer choque externo com reservas na casa dos 350 bilhões. Minha proposta é: usar tudo o que ultrapassar essa marca em prol da reativação da economia interna. 

Quem se dispuser a analisar com seriedade a proposta verá que ela faz sentido. Podemos usar o excedente para abater parte da dívida pública. Com essa folga, tanto o setor privado quanto a União, estados e municípios podem tomar mais empréstimos no exterior, com taxas de 2%, 3%, no máximo 4%, prazo de carência de três, quatro anos e mais 20, 25 anos para pagar. 

Boa parte desse dinheiro poderia ser usado para retomar as 30 mil obras que mencionei. São estradas, ferrovias, casas, apartamentos, usinas de energia. Ao mesmo tempo, ao utilizar parte das reservas, você reduz seu custo de manutenção, pois ela precisa ser remunerada pela Selic, a taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano. Em resumo, é mentira dizer que não há de onde tirar dinheiro. Há sim. Falta é vontade política. 

CC: As denúncias de corrupção e o impeachment de Dilma Rousseff esfacelaram a esquerda. De que forma é possível se reconectar com o eleitorado?
WD: É cada vez mais urgente a reforma política. O modelo atual é caro e impede cidadãos sérios de se candidatarem. Dito isso, o PT voltou à oposição e tem de reapresentar um projeto para o Brasil. Não podemos apenas dizer “somos contra” isso ou aquilo. 

CC: Muita gente acha que o PT não tem mais condições morais de liderar o campo progressista.
WD: O PT tem moral. E tem um legado. As marcas dos nossos governos estão em todos os municípios do Brasil. São unidades básicas de saúde, iluminação, sistemas de água, rodovias asfaltadas, conjuntos habitacionais. 

Ninguém fez tanto quanto os nossos governos. Mas o PT não pode ficar no isolamento. Há um conjunto de forças pulverizadas em vários partidos. Enxergo dois caminhos: ou se cria uma nova legenda ou se faz uma fusão. Poderíamos ter algo parecido com a Frente Ampla do Uruguai. 

Quando olho o mapa estadual de líderes afinados em torno de um mesmo projeto, vejo que estamos cinco vezes maiores do que éramos em 2003, quando o Lula assumiu a Presidência da República. Tire tudo o que foi feito no Brasil durante os governos Lula e Dilma. O que sobra? Um país atrasado, sem ferrovias, sem hidrelétricas, sem aeroportos reformados, sem inclusão social.